Mãe, Amiga, Irmã – Makeda

by angolanasnaturais2011

Onde a tua mão embala, há uma alma descansada
Quando tua raiva ferve a revolta é desenfreada
Polivalente, afável, inteligente, mas poderia ser mais
Não te tivessem no passado tratado de formas triviais

Teu cabelo enaltece quem sou, jamais te roubaria da tua suave cor
Por te cobiçar minha nubian, não tenhas de mim rancor
Tatuei-te no meu braço e cotejado ao que tu passaste, agulhas são meras flores

És a quimera que todos querem tocar, a rima que todos querem conjugar
És mãe, não me deixas cair, brotas o toque que todos querem sentir
És Évora das mornas, a Angelou das prosas
No jardim do éden a negra rosa

Nego quem desdenha o teu amor
Uma mística de esplendor envolve a tua aura
És motivo numa tela, pintada com tintas raras

Sofres a dor dos filhos que na guerra se perdem
E as tuas lágrimas desfalecem
Em paga de tanto trabalho e dor recebes displicência

Julgam-te por revelares diferença, mas tua presença não causa indiferença
Quando provocas sobressalto em descrentes com a tua inteligência
És mãe amante e ainda consegues ser mulher
Numa sociedade que te reprime e mal te quer

Desnuda, coberta, com rasta ou careca
Com bebé ao colo amamentando, descalça ou mutilada pela guerra
Batucadeiras, mumuilas, soul divas, rappers, magnatas
Pretas, pele castanha, cor de canela, mulatas.

Conheço de cor tuas formas, minha pérola encantada
Mas há um mundo a descobrir nas entranhas da tua alma
Conheço de cor tuas formas encantadas que por mim sempre serão almejadas

Espelhas a beleza e a cor nos quatro cantos do mundo
De um continente com gente que te enche orgulho

Makeda

2008