Nós temos o cabelo natural, e depois?

by angolanasnaturais2011

Falamos várias vezes no grupo A.N.A. no Facebook sobre as reacções que recebemos a começar de familiares até N estranhos pelo nosso dia-a-dia. Há que reconhecer que a percepção de usar-se o cabelo natural tem muitas vezes uma conotação de desleixo, existência de problemas (ex. em relações, vida em geral ou financeiros) ou na sua maioria detrimento mental que possa ser paralelo ao consumo de drogas. Pode até haver quem use cabelo natural e identifique-se em alguma dessas categorias, mas não é o que está aqui em causa… Sabemos que a maioria dos membros do grupo tem como objectivo uma mudança de atitude com relação a sua saúde capilar, e pessoal em geral.

Sermos reconhecidas e respeitadas como naturais tem muito a ver com a forma como nos sentimos pessoalmente com a nossa escolha. Tende a ser de costume e, até de esperar, de certa forma, que quando se notam em nós quaisquer mudanças, que as pessoas ao nosso redor questionem tal decisão. A mudança aqui mencionada não é diferente, particularmente por não ser a norma na nossa sociedade Angolana.

Nesses quase oito meses no grupo noto que os comentários dos membros relatando as razões porque devam ou não ter o cabelo natural são muito comuns. Noto, no entanto, que reverte-se quase sempre em questões de tratamento e do que fazer com o cabelo em certas ocasiões. A maioria de nós usou o cabelo natural como criança ou adolescente e são raros os casos que aprendemos a cuidar deles efectivamente, dai a dificuldade em saber como trata-lo agora como adultas..

Continuando esse processo de educação, pessoal e de outros, continuaremos também a ganharmos confiança na nossa decisão para que não soframos pressões de voltar a precedência. A forma como nos vemos a nós mesmas, auto-estima, é por vezes abalada quando nos sentimos questionados se o que estamos a fazer está certo. Nessas situações, sugiro que ganhemos uma atitude um tanto quanto egoísta (ATENÇÃO, sem que sejamos egoístas) e sem que respondamos verbalmente, mas tenhamos em mente declarações como:

Nós temos o cabelo natural, e depois? A escolha é minha e continuarei a usa-lo assim… Não devo explicações a ninguém pois a minha razão é minha privada.. O meu cabelo é apenas parte de mim, pois o que eu sou e sei tu não conheceras, se decidires deixar que o meu cabelo te impeça de faze-lo e conhecer o meu potencial.

O importante é manter o positivismo e reenforçar a nossa escolha, tendo em mente que afirmações positivas repetidas ajudar-nos-ão a reprimir as negativas que, como humanos, muitos de nós aprende como se fossem verdade sobre a pessoa que somos. Isso não é um trabalho momentâneo, nem algo que se note resultados rápidos.

Enquanto isso, seria bom a criação de seminários e feiras que possam ajudar a abordar tópicos relacionados a auto-estima e o cabelo natural. Como grupo, é imperativo que sigamos o apoio que fornecemos umas as outras, mas é importante que façamos esforços conscientes de aceitar que essa mudança que fizemos não e temporária e os benefícios são grandes, a longo prazo.. Também seria proveitoso identificarmos um ou dois salões que estivessem dispostos a abraçar a ideia de cuidar de cabelos naturais prà partilharmos com eles o conhecimento adquirido como grupo até aqui.

Desejo continuação de boa jornada para todas A.N. (Angolanas Naturais) e agradecimentos aos A. (Amigos) que continuam a apoiar-nos na descoberta da nossa beleza pura Africana.

PS: Refiro-me ao membros do grupo no feminino pela maioria ser mulher, mas reconheço que o segundo. A do A.N.A. representem membros dos dois géneros.

Lwsinha MC