A ANA e a Pressao Social – Luziela

by angolanasnaturais2011


Ola Karapinhosas!

Admito que há muito tempo que não posto nada neste blog, a vida Luandense não ajuda ninguém, mas uns acontecimentos recentes na nossa página no Facebook e após ter lido um artigo hoje, levaram-me a escrever este pequeno desabafo, que é grande demais para o nosso mundinho chamado “Livro de Caras”.

Há mais ou menos três semanas atrás, houve um debate na página que gerou uma longa conversa típica da nossa página “Facebookana” em que vários temas foram levantados: raça/racismo, política, cabelo/penteados, “angolanidade”/”africanidade”/”mundialidade”. Um tema especifico fez-me mais confusão e ficou gravado num cantinho do meu cerebrum: a pressão social.

Creio que muitos dos membros do grupo concordariam que um tema recorrente no grupo e o de pressão social. Já houve muitos membros que usaram o nosso grupinho como forma de desabafar episódios de membros das suas famílias, colegas de trabalho, ou desconhecidos que cruzaram na rua, expressaram os seus descontentamentos ou desgosto do nosso look e da escolha de deixar de usar desfrisos ou tissagens. Por muito que seja desagradável, é uma ocorrência que para nos, Naturais, já se tornou quase normal, e as nossas reacções e respostas são já quase automáticas.

A pressão vinda do mundo de “fora” do nosso é normal, mas e a pressão vinda de dentro? Sobre este tema, li um artigo num blog ( http://mamochanaturals.com/blog/noflakingpeer-pressure/ ) que para mim pareceu ter sido escrito sobre as Angolanas Naturais e Amigos.

Em geral, o artigo chama atenção a três pontos:
1. Quando uma mulher decide usar o cabelo natural, muitas vezes é porque teve uma desilusão grande com os desfrisos e as tissagens (ver post da Ana Fernandes do dia 19 de Março), ou para abraçar a pessoa que ela é na realidade, física e esteticamente; os problemas surgem quando esta mulher acha que para ser natural tem que ser exactamente como TODAS as outras naturais, seguindo um padrão estabelecido, como forma de se sentir aceite no “grupo”. Quando isso acontece, esta mulher esta a esquecer-se dos motivos pelos quais decidiu usar o cabelo natural inicialmente: a sua individualidade. Existe uma linha muito fina que separa a inspiração da imitação. Não há nada de errado com a inspiração, mas a imitação elimina a individualidade.
2. O estabelecimento de padrões dentro da comunidade Natural também é um problema. Nada impõe que todo o mundo que usa o cabelo natural tem que gostar de Soul ou Reggae, nada impõe que a mulher que usa o cabelo natural tem que usar mais maquilhagem e acessórios, nada impõe que todos membros da comunidade natural têm que ser pro-negritude e/ou apolíticos. Eu pessoalmente gosto de soul, gosto da história dos povos negros, mas esses meus gostos não têm nada a ver com o meu cabelo natural. É importante que as pessoas não se sintam pressionadas a usar roupa africana, a ouvir músicas do Fela Kuti ou a não fazer parte de nenhum partido político simplesmente porque são estes, entre outros temas, que surgem mais nas conversas do grupo e blogs da comunidade Natural.
3. Um ultimo aspecto levantado no artigo é o de conformidade na escolha de penteados. Há quem não goste de tranças, e prefira usar o cabelo encolhido. Desde quando é que o encolhimento do cabelo (shrinkage) é errado? Há quem não goste do azeite e outros óleos, e prefere usar produtos industrializados, cada um faz a sua escolha. Como também, há quem faz parte de um grupo, blog ou comunidade natural mas não usa o cabelo natural, desde quando isso é errado?

Isto tudo para concluir que o objectivo do grupo Angolanas Naturais e Amigos sempre foi o de questionar os padrões, porquê então caímos na armadilha de criar ou de aderir a novos padrões?

Com isso relembro-me de que palavra que deve reinar é INDIVIDUALIDADE, e que como os demais membros do grupo Angolanas Naturais e Amigos tenho que estabelecer os meus princípios e preferências, e não mudar por ninguém como também não devo impor nada a ninguém. Ou será que dizendo isso estou na mesma a pressionar alguém?

Beijos Karapinhosos!
Luziela