Transição ou Grande Corte? – Luziela

by angolanasnaturais2011

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Para a maioria das mulheres negras que durante muito, ou pouco tempo, usaram o cabelo desfrisado (com produtos químicos ou com pentes quentes), o grande desafio ao voltar a usar o cabelo natural é escolher se devem “transicionar” ou fazer o “grande corte”.

Em termos tecnico-capilares (inventei isso agora kkkkk), a “transição refere-se ao processo de manter as pontas desfrisadas/lisas, e cortando-as gradualmente enquanto a raiz natural cresce. Este processo é complicado, porque é um desafio enorme lidar com as duas texturas ao mesmo tempo, mas com paciência, é sim possível.
Por outro lado, a única alternativa à transição é o Grande Corte (e também a opção que eu pessoalmente prefiro), em que todas as pontas lisas são cortadas por completo, deixando a raiz natural, dependendo do comprimento da mesma. Acho que é a melhor forma para uma mulher, desabituada a sua textura natural, de re-aprender a lidar com o seu cabelo.

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Porem, por falta de habito ao cabelo natural, muitas mulheres interessadas em deixar os desfrises não estão preparadas a enfrentar as consequências de uma mudança drástica de visual. Para estas mulheres, gostaríamos de transmitir a seguinte verdade, nua e crua:

[…] Pessoalmente não creio que devo aqui expor minha própria experiência com o cabelo natural… […] Apesar de reconhecer e respeitar a especificidade da mulher no que tange o cabelo, em especial numa sociedade que vem cada vez mais ressaltar que o belo em uma mulher é ter um cabelo com seus fios longos, mas a verdade é que A CENA AQUI É “MBORA” SOBRE A TAL DE TRANSIÇÃO – Vira e mexa a porquê “Estou em transição a X meses a Y anos” afff de afff…. ou melhor Mbandario de Mbandario…

A definição de “TRANSIÇÃO” refere-se ao início de conversa, e não é capilar, mas sim da pessoa do sujeito que está em luta consigo mesmo a tentar olhar no espelho e se reconhecer…

Do sujeito que está a apreender a tocar e a conhecer a textura de seu fio natural… Em luta por aceitar e reconhecer nele apenas um cabelo nem bonito nem feio, mas simplesmente cabelo…

Pessoalmente, a tal de transição e todos argumentos em torno dela é pura besteira… Pra mim é como qualquer outro processo de conversão psíquica igual a todas as dependências psíquicas, que a pessoa possui em relação a algo ou a um ideal de “Eu/Ego”, determinado e definido como o normal… Logo para eu o jargão transição capilar de um cabelo já em si morto para um cabelo vivo, por enquanto não é possível como não é possível ressuscitar alguém, ou ainda fazer vida onde não existe possibilidade de vida… Diria que o tal discurso de transição é uma versão tola de uma criação de um FRANKENSTEIN AFRO CAPILAR… Desse modo, acredito que se isso fosse possível alguém já estaria muito mais muito cheio dos jabacouler (dinheiro)…

Portanto, a transição é de sua pessoa e não do seu cabelo, como se fosse uma entidade a parte… Que demandasse um cuidar a parte… Todo um jargão “cartesiano”, comercial um engodo cru… Que vende uma ideia que a tal FRANKENSTEIN seguirá por determinadas etapas de regressão… Saindo do alisado, para o parmanente afro( ou relaxamento afro como se o cabelo crespo fosse estressado), daí para os cachos até passar por aqueles todos tipos de cabelo 1, 2, 3, 4 (as, bas, cs sei lá mais o kié)… Culminando no crespo este que na verdade todo mundo foge e corre como se tratasse do capeta!!!


Prostituto Kognitivo

Opinião de homem que não entende? Talvez, mas eu, como mulher negra, que ja desfrisou o cabelo durante muito tempo, e que não transicionou, e disse basta ao químicos e alisamentos duas vezes na vida, acredito que o processo de transição capilar é de facto um bocado ridículo. O objectivo aqui não é discriminar quem desfrisa, ou quem volta a desfrisar, e também não é oprimir ou obrigar as pessoas a cortar o cabelo, muito pelo contrario.

Primeiro, tendo em conta o facto de existirem tantas opções, este texto vem reafirmar a opção do natural como valida, e “desmistificar” a opção do grande corte, eliminando a noção de que mulher com o cabelo curto, e “ainda por cima!!” crespo, é feia.

Segundo, este texto vem enfatizar a importância da transição pessoal, emocional e mental da mulher que quer ser natural. Hoje em dia, o cabelo natural carrega sim um peso político, porque quem é natural, da nas vistas de quem não é, e não só porque ha quem acha que é um estilo “desarrumado”, mas porque o cabelo natural carrega consigo símbolos que representam noções de liberdade convicta que incomodam a ordem que as sociedades vêm como “normal”. Para muitos naturais, usar o cabelo como ele cresce do couro cabeludo tem como objectivo justamente isso: reafirmar a sua identidade, mesmo quando ela quebra normas.

Verdade, nao deixa de ser uma opção, mas é uma opção que não deve ser subestimada ou manipulada, e com a qual não se deve brincar. Ja disse, e vou repetir:

“SAIBAM PORQUE USAM OU QUEREM USAR O VOSSO CABELO NO SEU ESTADO NATURAL”